Os seus pulmões e a ELA

Como é que a ELA afecta o funcionamento dos seus pulmões?

A ELA varia muito de pessoa para pessoa e os sintomas relacionados com a respiração podem começar logo desde o início ou só surgir mais tarde. As complicações muitas vezes envolvem os músculos bulbares, que são responsáveis pela fala e deglutição, mas por vezes este problema só ocorre tardiamente. Em 15 a 20 % dos casos nunca acontece. Os neurónios motores para os músculos respiratórios estão muitas vezes envolvidos após ter ocorrido fraqueza nos braços e pernas. Mas, por vezes, os músculos respiratórios são afectados muito precocemente na ELA, quando a fraqueza é mínima. Em algumas pessoas a perda progressiva da função dos neurónios motores é muito lenta, em outros mais rápida. Em casos raros, a progressão diminui tanto que parece parar espontaneamente – ocorre uma fase de planalto que poderá durar um longo período de tempo.
 
 

Os músculos respiratórios ficam fracos

Quando a ELA afecta os neurónios que controlam os músculos respiratórios, a respiração torna-se forçada e fraca. Esta situação poderá desenvolver-se gradualmente durante semanas a meses ou, muito raramente, ocorre subitamente sem aviso prévio. Muitas vezes os primeiros sinais são reconhecidos durante o exercício físico ou durante a noite. Poderá sentir falta de ar com o exercício ou sentir-se incapaz de realizar determinadas actividades, mas esta sensação poderá não ser notada se os seus braços e pernas já se encontram demasiado fracos para realizar exercícios. Quando está na cama, poderá sentir falta de ar. Este sintoma é um indicador importante de problemas, poderá ter que dormir com várias almofadas ou mesmo sentado. O tratamento poderá ajudar, mas se é adiado ou não desejado, poderão ocorrer complicações.
 

No passado a diminuição severa da respiração era a causa mais frequente de morte, actualmente pode-se prolongar a vida e melhorar a sua respiração e qualidade de vida com a ventilação.

 

Perda da função bulbar e dificuldade em respirar

Bulbar refere-se a uma parte do cérebro que fica na parte superior da medula espinhal. A ELA com sintomas bulbares indica uma perda da função dos neurónios motores bulbares. Esta situação leva a problemas na fala, deglutição, capacidade de manter as vias aéreas abertas durante o sono e a capacidade de eliminar a saliva, resultando numa tendência para aspirar. Isto significa que alimentos ou líquidos, incluindo a saliva, poderão cair nos brônquis e alvéolos dos pulmões (aspiração). Quando a tosse não é eficaz ou as secreções aumentam a aspiração poderá levar a uma pneumonia – uma infecção ou inflamação dos alvéolos e pequenas vias aéreas.
 

Se tem saliva em excesso, tente usar lenços, um aspirador de secreções ou vários medicamentos que diminuem a sua formação. Os sinais de problemas bulbares incluem fala arrastada, dificuldades na deglutição, tendência para gaguejar, acumulação de saliva e perda de peso.

 

Diminuição da eficácia da tosse

Quando a função dos neurónios motores dos músculos respiratórios está afectada, a força da tosse diminui e a respiração torna-se fraca. A diminuição da força da tosse aumenta o risco de pneumonia e aspiração, porque é necessário uma tosse eficaz para manter limpas as vias aéreas.

 

Problemas respiratórios durante o sono

Seguem-se alguns problemas respiratórios que podem ocorrer durante o sono:

  • Se os músculos bulbares ficam fracos poderá ocorrer respiração ruidosa, ressonar ou mesmo a oclusão das vias aéreas superiores; este bloqueio ou paragem intermitente da respiração é chamado apneia obstrutiva.
     
  • Durante o sono as funções de muitos músculos e nervos relaxam e, como resultado, poderão acorrer problemas de sub-ventilação durante a noite. Os sintomas incluem: dores de cabeça pela manhã, letargia, falta de ar, sono perturbado, sonolência diurna e falta de apetite.

    Como a apneia obstrutiva e a hipoventilação muitas vezes ocorrem ao mesmo tempo, poderá ser necessário uma oximetria nocturna, ou um estudo do sono. A oximetria é feita com um oxímetro de pulso portátil que o doente leva para casa e aplica durante a noite. Este aparelho faz o registo da saturação arterial de oxigénio e da frequência cardíaca. O estudo do sono é feito num laboratório de sono, onde o doente passa uma noite a dormir, e são medidos vários parâmetros, nomeadamente traçado do sono, oxigénio, CO2, movimentos dos músculos, fluxo de ar, actividade eléctrica do cérebro e frequência cardíaca.
     
     
     

Fraqueza progressiva dos músculos respiratórios

Este problema tende a ocorrer mais tarde, com a perda progressiva da força dos músculos respiratórios. A incapacidade para respirar de forma independente poderá ocorrer rapidamente em determinadas circunstâncias, resultando numa crise. Um padrão frequente deste problema respiratório é uma tosse fraca que leva a pneumonia, por vezes com febre. Nesta situação, é necessário um tratamento agressivo com antibióticos, se necessário; um ventilador mecânico por um curto período de tempo poderá permitir a recuperação da respiração independente.
 

A fraqueza progressiva dos músculos respiratórios geralmente é identificada de uma das seguintes formas:

  • Problema temporário, devido a infecção nos pulmões, que, quando tratada (por vezes implica hospitalização), permite regressar à respiração independente, por semanas ou meses, ou mais.
     
  • Uma tosse fraca que pode levar a problemas sérios, mesmo que a respiração seja forte. Esta situação poderá ser melhorada.
     
  • Insuficiência respiratória permanente ou crónica, surge quando os músculos respiratórios ficam tão fracos que não conseguem expandir os pulmões e não conseguem também realizar uma tosse adequada, o que leva à necessidade de ventilação assistida.
     

Se estiver alerta para os sintomas de aviso de fraqueza dos músculos respiratórios, poderá identificar a diminuição da força dos músculos meses antes de ocorrer falência respiratória permanente. Tenha a certeza que tudo está sob controlo e planeia a sua estratégia de forma a evitar situações de emergência ou de pânico.

 

Doenças respiratórias e situações pulmonares frequêntes

Esteja alerta para as seguintes doenças respiratórias frequentes e outros factores que podem levar a complicações em pessoas com ELA:
 

  • Bronquite – é uma inflamação e irritação dos brônquios nos pulmões, caracterizada por tosse. Pode ser causada por vírus, bactérias, irritantes como o fumo do tabaco ou alergias. As vias aéreas inflamadas segregam um muco viscoso que causa a tosse produtiva, se os pulmões não forem limpos poderá ocorrer pneumonia.
     
  • Pneumonia – leva ao preenchimento das pequenas vias aéreas, dos alvéolos e dos tecidos envolventes com pús e muco, o que impede o fluxo de ar. É necessário um fluxo de ar adequado para que o oxigénio chegue ao sangue através dos alvéolos e para que o CO2 seja libertado do sangue e ventilado para fora dos pulmões. A pneumonia pode ser causada por vírus, bactérias e pode ser a complicação de uma constipação ou de uma gripe, ou ainda de uma aspiração ou de uma bronquite.
     
  • Aspiração – líquidos ou sólidos nas vias aéreas e parte dos pulmões) pode bloquear as vias aéreas e as trocas de gases, causar irritação, levar a lesão quando o ácido do estômago entra nas vias aéreas, ou levar a infecção da boca e gengivas. Pequenas quantidades de material aspirado podem ser eliminadas das vias aéreas ou expelidos pela tosse. Se a aspiração é frequente e envolve grandes quantidades, então é necessário uma avaliação médica.

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